Falo hoje sobre os verdadeiros inimigos da era pós moderna, em minha opinião. Algum palpite? Muitos diriam que são os políticos, uma vez que o principal papel atual da mídia - brasileira em especial - é desclassificar esta classe, usando de todo e qualquer artifício possível. E tem funcionado muito bem.
A mídia tradicional entra sim na lista destes inimigos, mas enquanto negócio que defende seus próprios interesses (sejam eles políticos, financeiros ou de poder). Os inimigos reais a serem combatidos são as grandes empresas, e os grupos midiáticos fazem sim parte desta lista.
As instituições financeiras representam boa parte deste número. Mas paremos para refletir por um instante: o que realmente os bancos fazem? Além, claro, de "guardar nosso dinheiro" para um futuro seguro, são a principal fonte de empréstimos (na maioria das vezes sob taxação abusiva). Nesse processo, criam dinheiro "do nada", dinheiro abstrato que não passa de números em telas de computador, que é fisicamente nunca visto. Dividas são criadas e... negociadas. Sim, nossas dívidas são compradas e vendidas como ativos de uma empresa no mercado de ações. Pensem na utilidade que tem este tipo de atividade para com o bem estar da vida humana. Eu não consigo enxergar nenhuma. Os bancos representam atualmente tudo o que há de mais mecânico e menos humano no capitalismo tardio que vivemos. Essas dívidas negociadas podem colocar países inteiros em estado de recessão, como acontece na Grécia, tirando o emprego de milhões de pessoas, colocando-as em situação de desespero, de pobreza. Os governos? Well, estão muitas vezes de mãos amarradas também por suas dívidas para com estes mesmos bancos. Nesta equação as tais medidas de austeridade parecem valer mais que o bem estar das populações.
Outra boa parte das empresas citadas na listagem acima é de mega organizações como a Unilever, que detém poder de mercado nas áreas mais distintas como saúde e alimentação.
O que dizer sobre os bens de consumo? Absolutamente desenhados para durar pouco, para se tornarem obsoletos depressa. Sem mencionar o valor pago pelo simples status de possuir determinado item. Aparelhos enormes que apresentem defeito em uma pequena peça são jogados fora como se não houvesse outra solução. Tudo é descartável. E para quê? Para que precisemos comprar um outro, mais novo, mais bonito, mais "moderno".
Grandes empresas costumam seguir um certo padrão: são geralmente multinacionais (ou globalizadas), extremamente poderosas, agem em diversos ramos de mercado, empregam milhões de pessoas e... acabam por estreitar relações entre si e entre governos. Segue trecho de matéria publicada no Pragmatismo Político:
"Waugh explica que o estudo da Universidade de Zurich “prova” que um pequeno grupo de companhias -principalmente bancos- exerce um poder enorme sobre a economia global. O trabalho foi o primeiro a examinar um total de 43.060 corporações transnacionais, a teia de aranha da propriedade entre elas e estabeleceu um “mapa” de 1.318 empresas como coração da economia global.“O estudo encontrou que 147 empresas desenvolveram em seu interior uma “súper entidade“, controladora de 40% de sua riqueza. Todos possuem parte ou a totalidade de um e outro. A maioria são bancos -os 20 top, incluídos Barclays e Goldman Sachs-. Mas o estreito relacionamento significa que a rede poderia ser vulnerável ao colapso”, escreveu Waugh."
Ontem ao assistir o excelente documentário Muito Além do Peso fiquei assustada com o poder que a indústria alimentícia tem. Como cerca nossa rotina de produtos nada saudáveis, muitas vezes até prejudiciais a nossa saúde. O princípio do alimento como fonte de saciação, de nutrientes e vitaminas, fica esquecido entre tanto sal, açúcar, gordura e agentes químicos. E por que? Porque comida salgada, gordurosa, doce e que dura mais é gostosa e vende. A saúde de quem os consome fica em último lugar na lista de prioridades deles.
O "maldito marketing" tem um papel extremamente importante neste processo todo. Haja visto que muitas corporações acabam por gastar mais com a propaganda do que com o processo de produção em si. Porque é a propaganda que faz vender. É a propaganda que entra em nossas mentes, mexe com nossos desejos, manipula nossas escolhas. Nossas e de nossas crianças, que associam o alimento, por exemplo, com o personagem bonitinho e colorido. O quão baixa e vil é essa "artimanha"?? E acredite, tem gente muito capacitada, bem treinada e bem paga para fazer isso. É o capitalismo transformando pessoas "de bem" em filhos da puta.
(É por isso que defendo a regulação da propaganda, mas falo sobre isso em um próximo post)
Empresas não produzem mais produtos. Empresas produzem necessidades. E consequentemente produzem consumidores.
Seu alvo principal é o nosso dinheiro, nada mais. Qual o bem que isto pode trazer para a humanidade? Nenhum.