Quero começar os textos deste blog com algo que acabo que postar no Facebook:
"É isso que dá quando o dinheiro é o que permeia nossas relações sociais.
Falta de empatia, cidadania e camaradagem leva à apatia e ao afastamento gradual e sutil, físico, psicológico e MORAL. Em casos não tão extremos, os resultados são a xenofobia e o facismo.
Essa elite rasa, burra e inescrupulosa NÃO NOS REPRESENTA.
SOMOS MUITO MELHORES QUE ISSO."
Nessa postagem tenho como referência as intensas leituras da área da Sociologia que tenho feito há pelo menos um ano e meio. Não tenho certeza do tempo, mas sinto que os pensamentos e críticas sociológicas/sociais de alguma forma sempre fizeram parte de mim.
Essa crítica ao modo de vida atual e cosmopolita era algo que sentia falta na "Filosofia pura" ou clássica. Talvez não tenha chegado até os filósofos mais atuais para tirar esta conclusão, é verdade. Mas, de qualquer forma a Sociologia tem me ajudado a entender a realidade em que vivemos de uma forma muito mais prática, moderna e concreta.
Ela me traz muito mais perguntas que respostas, obviamente. Porém, é justamente esse "rachar-cuca" que me traz o prazer maior do mundo. Pensar, refletir, analisar, criticar.
E quem sabe agora resenhar também.
*
Voltando ao post:
A primeira frase é a de referência mais imediata, pela leitura de "Fissurar o Capitalismo" (Holloway, John - Publisher Brasil) livro que ainda não terminei. Falarei muito sobre o mesmo por aqui muito em breve. Mas, de uma maneira bastante resumida, trata-se de um estudo sobre formas alternativas ao sistema no qual o capital molda nosso fazer, pensar, viver e inevitavelmente, ser."É isso que dá quando o dinheiro é o que permeia nossas relações sociais.
O capital enquanto moeda de troca (necessidade - serviço - mão de obra) tece uma teia sutil e sublime (usando os próprios termos de Holloway) que nos abraça e nos aprisiona. Não somos livres para fazermos o que nos dá prazer e nossas relações se tornam cada vez mais abstratas. Sejam elas com relação ao dinheiro, ao trabalho itself ou às pessoas. Se preciso de um jeans novo, por ex., venderei a minha mão de obra para poder comprá-lo. A minha relação com a pessoa que produz o jeans (ou uma seção dele - uma vez que o trabalho é cada vez mais seccionado, dilacerado ao ponto de eu não conhecer esse produto final) é uma relação pura e simplesmente baseada na troca abstrata de nossas relações de trabalho. Não há nenhum sentimento além disso. O que nos leva ao aumento da superficialidade e abstração ao ponto de não enxergarmos a nós mesmos como seres humanos, mas como números (seja um sifrão ou um CPF).
Continuando:
Falta de empatia, cidadania e camaradagem leva à apatia e ao afastamento gradual e sutil, físico, psicológico e MORAL. Em casos não tão extremos, os resultados são a xenofobia e o facismo.
Aqui tenho como fonte de "criação" (meu amado) Bauman, Zygmunt (e é curioso como as leituras mais materialistas e "anarquistas" como Holloway e moderadas e "estadistas" como Bauman se conectam neste ponto).
Ao nos reconhecermos como números, ou competidores num determinado mercado, ao tratar todas as nossas relações com base no capital ou no nível abstração que o mesmo causa, a empatia, cidadania e camaradagem perdem espaço. Muito espaço.
Bauman fala muito sobre as consequências do afastamento físico entre pessoas (irmãos) que existe nas grandes metrópoles. Super ricos, ricos, classe média alta, média, classe trabalhadora, pobres e pessoas à margem da pobreza (que estão fora do jogo do capital) tem seus bem locais definidos em uma cidade. Seja onde moram ou onde possam circular, ou aos serviços que são oferecidas - sejam privados ou estatais.
Eu me circundo de muros altos para evitar a realidade lá fora. Consequentemente, essa barreira gera um afastamento moral: não sou responsável por aquilo que não posso ver. O não ver cria uma "rigidez" moral muito forte. Em casos não tão extremos, os resultados são a xenofobia e o facismo.
Essa elite rasa, burra e inescrupulosa NÃO NOS REPRESENTA.
Minha intensão por trás deste post era fazer uma análise sobre a reação da burguesia à vinda dos médicos cubanos ao país. Não vou me estender sobre o assunto aqui, ao menos não agora.
Mas estou feliz que agora esses absurdos não passam em branco. Que podemos nos levantar contra o que não concordamos. Que há muita gente nesta mesma sintonia: sentindo que há algo muito errado com o mundo.
Pensar, refletir, reconhecer que este algo errado é uma realidade.
Interesting points that you've raised - I'll try to keep reading your thoughts as you post them.
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